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sábado, 30 de maio de 2015

Pela yellow brick road...

Perdoem-me o desaparecimento, mas a vida tem estado mais exigente lá fora do que "aqui dentro". Por vezes temos de abdicar temporariamente de parcelas da nossa vida, para endireitar outras partes que são vitais. É o caso. Neste momento estou a trilhar a minha yellow brick road e nada me pode desviar deste caminho... :)



quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Pelo avesso

Hoje é o dia em que a vida entrou nos eixos. Após tanto tempo a desejar sofregamente por este momento, estou tomada pelo medo. Quem disse que a felicidade não pode ser angustiante?


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Cabelos Horribilis


Depois de anos a ir sempre à minha cabeleireira de eleição, decidi tentar algo diferente. Por norma, gosto de experimentar coisas novas, mas quando se trata de relacionar-me numa base consumidora/prestador de serviço, tenho uma autêntica paranóia. Custa-me ter de explicar a um estranho como gosto do meu cabelo cortado. Conseguir uma relação de confiança desse género leva-me tempo, porque sou um falhanço nestas soft-skills de convivência social. Mesmo assim, corri o risco. 

Fui ao sítio mais impessoal que poderia ter ido, um tal de Jean Louis David, num shopping. Mal lá entrei fui atendida por uma empregada robotizada que se apressou a impingir-me o cartão de cliente. Como oferecem um vale de 7,50€ pelo dia de aniversário, pensei que se ficasse satisfeita, que lá voltaria (doce ilusão...).

Deram-me a novata do cabeleireiro, impingiram-lhe mil e um tratamentos, coloração (eu só quero cortar o cabelo, malta!!!), tentaram vender-me produtos capilares quando me lavaram o cabelo, quando me cortaram o cabelo, quando me secaram o cabelo, quando fizeram o styling do cabelo. Resultado: fizeram-me um corte parecido ao Mel Gibson no Arma Mortífera e perderam uma cliente! 

Fod@m-se, tá!!!! 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Em loop vicioso

Esta é a derradeira semana a lamber papel. Enquanto isso, só me apercebo que o Natal está mesmo ao virar da esquina porque ouço, em tudo que é sítio, a tocar o "Last Christmas" que é, seguramente, a oitava praga do apocalipse. 
Aposto que tooooodos os anos, por altura do IRS, é ver o George Michael (Wham) a receber as declarações de facturação da sociedade de autores e, claro, lá estará Portugal na listinha da retenção na fonte, juntamente com a "kitschalhada" toda dos Balcãs.

Enfim, agora que já vim aqui escrever uma baboseira, já posso voltar à actividade de lamber papel. 






quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A corneta do diabo

Dentro da categoria dos "maus-carácteres", existe uma subcategoria que apelido do "cangalheiro". O cangalheiro é a figura mais insinuante e cavalheiresca que uma mulher ou homem pode encontrar. Todo ele é repleto de mesuras, delicadezas e pequenas etiquetas encantadoras. Ele é aquele que abre a porta, que nos diz como estamos bonitas naquele dia, é aquele que vai à pastelaria e compra bolos miniatura para que todos os colegas, à hora da pausa para café, possam usufruir de um momento de descontracção proporcionado por aquela galante criatura. Aaaaah, o cangalheiro é um gentleman! - pensamos nós. 

Até que chega ao dia, em que, inadvertidamente, ficamos a saber que o cangalheiro anda a cavar a nossa sepultura, nas nossas costas, enquanto nos vai alimentando com bolos miniatura pela frente (a técnica da engorda antes da matança). 

Após anos de patético engano, o cangalheiro releva-se. Um ser dúplice, de olhinhos miúdos, fofoqueiro, cobarde, vasculhador de caixotes de lixo em busca de post-its comprometedores, violador de correio electrónico, desonesto intelectual, furtador de trabalho alheio, bicho de perna mole e sem espinha. Descobri o meu Dâmaso Salcede e, acreditem, não é nada "chique a valer".


O que me vale é que sou uma fervorosa militante do karma... 


segunda-feira, 11 de março de 2013

Carne para canhão

Photograph by Melissa BeattieNational Geographic

Durante aproximadamente quatro anos trabalhei numa empresa do sector empresarial do Estado. Na entrevista de recrutamento disseram-me que pretendiam apostar em mim e que eu jamais seria "carne para canhão". Fiquei satisfeita e acreditei.

Quando se aproximava o fim do primeiro ano, o meu chefe informou-me, de passagem, que era política da empresa a renovação dos contratos no primeiro ano de trabalho. Percebi. 

No ano seguinte consolidei a minha situação na empresa e senti que cada vez mais me eram atribuídos trabalhos de responsabilidade, que eu resolvia de forma autónoma. Nesse ano, chamaram-me novamente e reiteraram a confiança em mim, mas que iam renovar o contrato.

No terceiro ano tornei-me finalmente necessária. O que significa que já não era eu quem recorria à pessoa X para solucionar dúvidas, mas que também eu era uma parte fundamental na resolução dessas matérias. 
Raras eram as semanas em que não trabalhava até duas ou três horas após o horário de trabalho (sem pagamento de horário extra). Como era o terceiro e último ano de renovação sucessiva de contratos de trabalho, acreditei que já tinha provado que merecia a confiança de passar para os quadros da empresa.


Entretanto, saiu nova lei que previa que era possível renovar extraordinariamente por mais 18 meses (6 + 12 meses) todos os contratos que se encontravam a terminar.

Apesar do meu novo chefe ter pedido a minha efectividade, a administração da empresa optou por assegurar a confiança em mim, que eu era uma peça chave no gabinete, que fazia parte do "core" do departamento. Não obstante, iam renovar extraordinariamente por mais seis meses e que no fim desse tempo passaria ao quadro. Entendi e acreditei. Afinal essa mesma administração tinha-me garantido que eu não era "carne para canhão". Para mim era uma questão de boa fé.

A um mês de ver a minha situação regularizada, o Primeiro-Ministro Passos Coelho fez um discurso onde sentenciava que todos os contratados do Estado não veriam os seus contratos renovados.

Ingénua como sou, mas sempre avisada, fui falar com o meu chefe sobre o peso destas declarações. A atitude foi de despreocupação. Apesar disso, ele fez o que lhe competia e foi falar com a administração da empresa que afirmou nada poder fazer para já, mas que a situação estava a ser tratada. Segundo palavras do meu chefe era desta que eu e outras pessoas íamos passar a efectivos. 

Duas semanas depois, às 18h de uma sexta-feira, fui chamada e avisada de chofre que ia ser dispensada devido a um comunicado interno de todo o Grupo que impossibilitava renovações de contrato ou contratações.

Nesse dia tornei-me finalmente adulta. Pela primeira vez na minha vida senti que havia algo dentro de mim que se tinha "quebrado" e que era impossível retroceder. 

Eu era a mais jovem do gabinete, a mais bem qualificada e a que tinha mais margem de progressão. Durante os quase quatro anos que lá estive, trabalhei na sombra e fiz trabalhos em que outros brilharam à custa do meu desempenho. Nunca pedi nada em troca. Nunca tive nada em troca. Acreditava no meu trabalho e acreditava que estava a contribuir para o bem comum daquele gabinete. Acreditava que com trabalho duro e competência que o meu dia ia chegar. E ele chegou... em forma de demissão. Afinal eu tinha sido "carne para canhão". 

Neste momento, o meu trabalho é garantido por uma senhora de 63 anos que há muito já deveria ter ido para a reforma, mas que não vai porque tem um "padrinho" dentro da empresa e porque despedi-la implica a atribuição de uma indemnização brutal. 

Os restantes colegas do gabinete rondam a idade dos 45-57 anos. Alguns deles mantêm uma segunda actividade laboral que conciliam com o horário de trabalho da empresa. Outros passam o dia a ler jornais, a ver e-mails e a fazer telefonemas para a família e amigos. Outros, por ressentimentos antigos, estão a passar informação da empresa para concorrentes. Outros aparecem e desaparecem do local de trabalho sempre que lhes é conveniente (não existe ponto). Outros, ressonam frente ao computado (juro que é verdade!). Outros têm carro da empresa para se deslocarem de casa para o trabalho todos os dias. O leasing desses carros é pago por todos nós, contribuintes. A média de leasing por carro ronda 700 euros. Dinheiro este que poderia ser investido em manter recursos humanos em vez de os despedir. Enquanto uma empresa tiver forma de cortar em recursos materiais, não faz sentido cortar em recursos humanos! Infelizmente no Estado não é assim que a coisa funciona. 

Desde que saí da empresa a sangria de jovens contratados continua. Gente qualificada. Quadros de tal forma especializados que em toda a empresa não há quem os substitua. Algumas dessas pessoas felizmente são suficientemente habilitadas para encontrar trabalho... fora do país. 

A sensação que dá é que estamos numa selva e somos os animais mais frágeis, por sermos mais novos. A diferença é que no reino animal os jovens são protegidos pelos progenitores. Neste caso, não há ninguém que nos tenha protegido. Fomos caçados e abatidos. 

Este é um pequeno caso que acontece em uma empresa pública. Como disse o Guterres, agora "é fazer as contas".